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Gramados Híbridos em Estádios: A Solução Ideal ou Apenas Estética?

Por Redação FutVerdão em 20/02/2025 05:41

O Dilema dos Gramados em Estádios Multiuso

A busca pela superfície de jogo perfeita em estádios que abrigam tanto partidas de futebol quanto eventos diversos tem sido uma constante. Enquanto o estádio do Real Madrid, o Santiago Bernabéu, passou por uma ambiciosa reforma para se tornar uma arena multiuso, a escolha do tipo de gramado ideal permanece um ponto crucial e controverso, especialmente no contexto brasileiro.

No cenário nacional, a situação do Allianz Parque, estádio do Palmeiras, ilustra bem esse desafio. Com um histórico de intensa utilização para shows ? um recorde de 47 apresentações em 2024 ?, o estádio enfrenta dificuldades para manter a qualidade do gramado, o que levanta questionamentos sobre a adequação das diferentes opções disponíveis.

Gramado Híbrido: Uma Alternativa Promissora?

O gramado híbrido surge como uma alternativa entre o gramado natural e o sintético. Essa tecnologia consiste em um campo natural reforçado com fibras artificiais, o que teoricamente permite suportar uma quantidade moderada de eventos sem comprometer o desempenho esportivo. A estrutura do gramado híbrido se assemelha à de um campo natural, evitando o uso de borracha e bases rígidas.

Christian Truda, representante comercial da Limonta Sport no Brasil (empresa responsável pelo gramado do Santiago Bernabéu), em entrevista ao UOL, ressalta a importância de definir a prioridade do estádio: "É preciso entender se é um estádio de futebol ou uma casa de eventos. Não adianta você colocar um gramado híbrido, fazer 10 shows no ano e achar que não vai acontecer nada". No entanto, ele destaca que essa solução tem sido adotada com sucesso em estádios europeus como o Santiago Bernabéu, o Estádio Olímpico de Berlim e o Estádio de São Petersburgo.

Experiências Brasileiras e a Realidade do Allianz Parque

Apesar do sucesso em alguns contextos, a implementação de gramados híbridos no Brasil enfrenta obstáculos. Alessandro Oliveira, CEO da SoccerGrass (empresa responsável pelo gramado do Allianz Parque), revelou que a opção foi cogitada para o estádio do Palmeiras , mas testes demonstraram sua inviabilidade. Segundo Oliveira, "O híbrido é um campo 100% de grama natural, onde enxertam fios de grama sintética, cerca de 20% do campo. Mas você tem todo o campo de grama natural, que vai se estressar por que o sol não bate pelas arquibancadas cobertas por determinação da Fifa nessa novas arenas, com shows, e a grama natural sofre com isso. Pensamos e testamos o gramado híbrido no Allianz Parque e não deu certo. Testamos onde a grama morria, ficava seca, e não funcionou. Isso seria Allianz e Maracanã".

O Caso do Gramado Sintético e suas Controvérsias

Diante das dificuldades com gramados naturais e híbridos, alguns estádios brasileiros optaram pelo gramado sintético. O Allianz Parque, por exemplo, adotou essa solução e, segundo Alessandro Oliveira, tem obtido sucesso. "O sucesso do Allianz é o sintético com padrão de qualidade", afirma.

Contudo, a utilização de gramados sintéticos não é isenta de críticas. Recentemente, jogadores como Lucas Moura, Thiago Silva e Neymar manifestaram publicamente sua insatisfação com esse tipo de piso, alegando que ele afeta a qualidade do jogo e aumenta o risco de lesões.

Corinthians e o Exemplo de Sucesso Híbrido

Nem todas as experiências com gramados híbridos no Brasil foram negativas. O estádio do Corinthians, a Neo Química Arena, é apontado como um exemplo de sucesso. O gramado do estádio alvinegro, que possui 20 centímetros de fibra sintética inserida no solo, recebe boa quantidade de luz solar e é palco de um número menor de eventos em comparação com o Allianz Parque. O técnico do Palmeiras , Abel Ferreira, chegou a elogiar o gramado da Neo Química Arena, classificando-o como o melhor do Brasil.

A "Loucura" dos Sintéticos com Cortiça

Christian Truda, da Limonta Sport, tece duras críticas aos gramados sintéticos com composto de cortiça que vêm sendo adotados em alguns estádios brasileiros. Para ele, "Isso que fizeram no estádio do Botafogo é uma loucura. O Allianz fez, replicou em Barueri, e agora tem no Pacaembu e na Arena MRV. Depois do terceiro ano, o campo vai ficar duro, o jogo vai ser outro. O sintético desses estádios não é a pior grama do mundo, mas não é o melhor. Virou queridinho do Brasil pelo Botafogo e virou moda. As reclamações só vão piorar com o passar dos anos e as condições desses campos vão caindo gradativamente".

A discussão sobre qual o tipo de gramado ideal para estádios multiuso está longe de ser resolvida. Enquanto o gramado híbrido se apresenta como uma alternativa promissora, sua viabilidade depende de uma série de fatores, como a intensidade de uso do estádio, as condições climáticas e a qualidade da manutenção. No Brasil, a busca pela solução ideal continua, com diferentes experiências e opiniões divergentes.

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Fábio

Fábio

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Comentado em 20/02/2025 10:00 Acho que o sintético tá dando conta, mas eles precisam cuidar do gramado direito.
Fernando

Fernando

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Comentado em 20/02/2025 07:50 Só o Allianz salva! Kkkkk
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